Em janeiro deste ano, assim como no início de 2020, moradores do Rio de Janeiro reclamaram do cheiro e da cor da água tratada e distribuída pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro – CEDAE. Alguns confirmaram ter tido ardência nos olhos e náuseas após o consumo.

O que é a Geosmina? 

A Geosmina é um composto orgânico amplamente conhecido pelo agradável - apenas nesse caso - "cheiro de chuva" ou "terra molhada". Essa molécula pode ser sintetizada por alguns microrganismos, tais como as bactérias Streptomyces e Actinomicetos, Cianobactérias (algas azuis) e os fungos.

A presença de Geosmina na água é responsável apenas por causar alterações de cheiro e sabor, mas não mudanças de cor ou turbidez.

A Geosmina pode fazer mal quando consumida?

A Geosmina não apresenta toxicidade, mas é um indicador da qualidade da água coletada, isso porque as Cianobactérias (algas azuis) têm seu crescimento favorecido pelo aumento da concentração de matéria orgânica devido à poluição por dejetos domésticos (esgoto), fertilizantes agrícolas e efluentes industriais, despejados diretamente em rios e lagos.

Apesar da presença de Geosmina não apresentar efetivamente um efeito tóxico ao organismo, o que precisa ser considerado como um problema em potencial é o fato de que as cianobactérias presentes na água, que produzem a geosmina, também podem produzir uma série de outros metabólitos capazes de exercer efeitos tóxicos em animais e em humanos. Pesquisadores já relataram que a água com gosto desagradável pode causar efeitos psicossomáticos (sintomas causados por alguma instabilidade emocional que vão gerar efeitos físicos no organismo) como dores de cabeça, estresse e náuseas.

Como remediar a presença de Geosmina na sua água para consumo?

A Geosmina é um composto de difícil oxidação, então os processos convencionais de tratamento são insuficientes para a remoção de tal substância.

Para remediar essa situação, segundo um especialista do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) recomenda-se:

  • Implementar um sistema de Filtração de Entrada, com uma porosidade de 20 micra para reter material particulado - nós indicamos o FIT POE 9,3/4" (ou Caixa d'Água) para residência e dispomos de produtos maiores para condomínios;
  • Nesse mesmo sistema acrescentar uma unidade de carvão ativado, para remoção de gosto e odor (adsorção) - nós, da Água do Lar, indicamos que sejam aplicados diretamente no Ponto de Uso (Consumo), como na torneira da pia de cozinha, por exemplo;
  • Higienização de reservatórios, limpeza de caixas d’água e tubulações: o alto nível de matéria orgânica presente pode se instalar nesses locais, favorecendo o desenvolvimento de Biofilmes;
  • A limpeza de filtros, com a troca de velas de carvão ativado, vai diminuir a carga de material orgânico e evitar contaminações microbiológicas - conforme indicamos, na Água do Lar você encontra uma grande variedade de marcas e trocar os refis conforme a recomendação média de 6 a 9 meses.

E como remediar a presença de Geosmina no manancial? O que as Estações de Tratamento fazem ou deveriam fazer?

A concessionária de distribuição de água, após a crise de 2020 implementou a adição de carvão ativado no sistema de tratamento de água. O carvão ativado tem sido empregado no tratamento da água, pela sua capacidade de absorver seletivamente impurezas de origem orgânica.

Apesar do tratamento com carvão ativado ser muito eficaz, ele não é seletivo apenas para a Geosmina. Deste modo, se a água estiver com uma alta carga orgânica talvez o tratamento não tenha a eficácia esperada para a remoção de Geosmina.

Só agora surgiu o problema?

Na realidade esse problema é antigo. Em 2001, tivemos um evento desses, em que a água distribuída pela CEDAE apresentava forte cheiro e sabor de geosmina. 

Também houve presença de cianotoxinas (microcistinas) na água tratada e também na água de diálise de quatro centros de hemodiálise sediados no Rio de Janeiro, um deles foi no Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Fundão. Também foi detectada toxina e alterações bioquímicas no sangue dos pacientes de hemodiálise, compatível com dano hepático. Isto está registrado em artigo científico. No entanto, não houve mortalidade, como no caso de Caruaru (PE), quando houve contaminação na água de diálise e morreram 76 pacientes. Este foi o primeiro caso confirmado, cientificamente, de morte de humanos por cianotoxinas. Portanto, é preciso ter um controle rigoroso no tratamento da água para que casos como esse não se repitam.

Fontes:
http://jornaldapuc.vrc.puc-rio...
https://microambiental.com.br/...